Por dentro


A cada dia eu fico mais estupefato com esta tua capacidade de me iluminar, de me fazer te querer a cada instante, de me absorver pro teu âmago de corpo inteiro.Aí eu fico assim, livre, dentro de uma enorme gaiola de desejo, com a portinhola escancarada me esperando sair. Então vou até ela, boto a cara pra fora, olho pros dois lados duas vezes, e de supetão a fecho e passo rápido o ferrolho, que é pra ninguém entrar, que é pra ninguém sair

À flor da pele ou a pele da flor


PELE

Beija como quem vive com sede
Morde como quem morre de fome
Abraça como quem quer renascer

Olha-me nos olhos enquanto sente
Mas corre do meu olhar insistente
Quando quero apenas fazer derreter

Percorro sua carne branca al dente
E tal qual um ser louco e indecente
Mastigo-lhe a pele até vê-la desfalecer

Um novo amor é como um transplante
Que ressuscita a alegria de ser amante
de quem alucina de tanto bem querer


(A imagem é da epiderme de uma Sempervivum Violaceum vista bem de pertinho
e o poeminha ingenuo é para uma florzinha de pele branca e dentes poderososíssimos)

do que se trata

Experiências inesperadas, inexperiências declaradas, declarações inspiradas, inspirações arrancadas sob ternura, eternos recomeços, meios sem fim e muita vontade de seguir em frente.